Arameans reivindicam sua inclusão na Constituição do Iraque e proteção internacional
Conhecido pelos vídeos cinematográficos de execuções sangrentas, o grupo extremista Estado Islâmico conquistou um amplo território entre o Iraque e a Síria desde 2014, expulsando dezenas de milhares de pessoas de suas casas. Apesar do destaque dado pela mídia internacional aos povos curdos afetados pelo êxodo, existe uma outra população perseguida pelos jihadistas na região: os arameans, também conhecidos como syriacs.
FONTE CPADNEWS VIA R7
Os arameans são povos indígenas do Oriente Médio, e ocupam, em sua maioria, regiões da Síria, Iraque, Líbano e Turquia. Depois da invasão árabe, eles deixaram de ser maioria na região, e muitos deixaram seus lares e migraram para outros países, como a Holanda, que conta hoje com uma comunidade de aproximadamente 25 mil arameans.
Além de sua importância na composição do povo iraquiano — eles são o segundo maior grupo de cristãos no país —, os arameans também têm diversas heranças históricas na região. Uma delas é o próprio idioma aramaico, conhecido como “a língua de Jesus”.
Presidente do Conselho Mundial dos Arameans (Syriacs) — ONG com sede na Holada e na Suécia que luta pelo reconhecimento dessa minoria —, Johny Messo afirma que, com os recentes avanços do governo sírio e iraquiano e o apoio da coalizão internacional, o Estado Islâmico “pode ser derrotado nos próximos meses”. No entanto, ele acredita que o próximo grande desafio para a região será resolver os problemas relacionados aos deslocamentos forçados realizados pelo grupo, de maneira a garantir os direitos dos povos afetados pelos extremistas.
Com isso, o Conselho Mundial dos Arameans reivindica que a minoria seja incluída na Constituição do Iraque e possa voltar às suas terras. De acordo com Messo, os cristãos do país “só querem viver em suas próprias terras e com liberdade”, como parte do Estado iraquiano.
"Há uma diferença entre auto-administração, que nós reivindicamos, e Estado próprio. Se os arameans puderem ter sua própria polícia, seu próprio governo, seria ótimo. Poderemos manter boas relações com Bagdá e com os curdos, mas precisamos de ajuda internacional".
Saddam
Antes da invasão norte-americana no Iraque em 2003, havia cerca de 1,4 milhões de arameans no país. Após uma onda de êxodos em massa, este número caiu para cerca de 250 mil em 2016.
De acordo com Messo, a intervenção norte-americana no Iraque fez com que a perseguição contra os arameans recrudescesse, e eles passaram a ser caçados por diversos grupos que passaram a atuar dentro do país. Muitos foram expulsos das universidades, sequestrados, perseguidos e mortos.
"Havia medo, mas não do jeito que há hoje. Saddam era um ditador, mas quando ele caiu, foi um completo caos. Nós fomos perseguidos simplesmente por sermos cristãos e não-árabes".
Curdos
Messo ressalta que diversos arameans que viviam na cidade de Mosul — um dos maiores centros urbanos do Iraque — foram expulsos quando o Estado Islâmico invadiu o local. A maioria deles fugiu para regiões de maioria curda no nordeste do país.
Apesar de conviverem juntos, o presidente ressalta que os arameans são “tratados como refugiados” nas regiões dominadas pelos curdos — que conquistaram autonomia do governo em territórios do norte da Síria, conhecida como Rojava.
"O mundo todo fala sobre o sul da Turquia e Rojava. Mas haviam poucos curdos lá no norte da Síria há 150, 200 anos atrás. O problema é que hoje, o mundo inteiro acha que essas terras pertencem aos curdos, mas isso é uma grande mentira. Elas pertencem aos arameans.
Apesar disso, o número de Arameans na região diminui cada vez mais. Por conta disso, Messo destaca o papel da comunidade internacional na proteção dos direitos dos cristãos do Iraque. Segundo ele, os governos da região não estão ajudando a minoria a sobreviver, e poderiam fazer “muito mais por nós”.
"Os arameans são um povo pacífico e muito importante para a sociedade. Estamos sendo perseguidos. Se as pessoas querem realmente que haja democracia e liberdade no Oriente Médio, com respeito aos direitos humanos, eles devem salvar os arameans cristãos que vivem lá. Nos ajudem a sobreviver".

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