Garotos com idades entre 7 e 17 anos sofrem diversos tipos de abusos e chegam a receber do Boko Haram, entorpecentes para usá-los durante os conflitos e promover a matança de cristãos.
O mundo ficou horrorizado quando o grupo terrorista nigeriano Boko Haram sequestrou 276 estudantes da cidade de Chibok em 2014. Mas estes extremistas islâmicos têm espalhado o terror também de outras formas, como o sequestro de garotos, para transformá-los em 'jovens soldados' e promover a 'jihad', também na África.
O grupo já deixou claro que sua missão é destruir todas as igrejas e explodir cada cristão, os quais são chamados pelos terroristas de 'infiéis'.
Segundo um relatório investigativo, elaborado por Drew Hinshaw e Joe Parkinson ('Wall Street Journal'), mais de 10.000 meninos já foram sequestrados e radicalizados ao longo dos últimos três anos pelo grupo terrorista, em suas táticas de coerção brutal.
Pouco depois que as estudantes de Chibok foram raptadas, o Boko Haram atacou seis aldeias nas montanhas próximas e sequestrou crianças desses locais. Estes crimes receberam pouca cobertura da mídia internacional, além da imprensa nigeriana.
Alguns meses mais tarde, o grupo tomou o domínio sobre a cidade de Damasak e levou cerca de 300 estudantes - em sua maioria meninos - com idades entre 7 e 17 anos. Na ocasião, os terroristas prenderam as crianças e adolescentes em uma escola, segundo relatos de testemunhas coletados pelos jornalistas do 'WSJ'. Seus pais foram mantidos em salas separadas. Durante meses, as crianças foram forçadas a aprender sobre o Corão.
Posteriormente, o Boko Haram acabou abandonando os pais e fugiu com as crianças.
Na floresta próxima à região de Maiduguri, o grupo terrorista armou um de seus acampamentos de treinamento militar para os meninos. As crianças com idades a partir dos 5 anos já aprendiam a lidar com fuzis e a marchar como soldados. O instrutor desses garotos era outro adolescente, de apenas 15 anos de idade.
"Eu estava apavorado, se eu não os obedecesse, eles me matariam", disse o instrutor adolescente ao WSJ. Ele foi sequestrado pelo grupo radical em 2014, mas conseguiu escapar tempos depois.
"O que está acontecendo aqui no nordeste da Nigéria é parte de uma inquietante evolução do jihadismo entre as crianças. Os meninos novos e às vezes, até mesmo as meninas, estão sendo doutrinados pelo fundamentalismo violento e utilizados como combatentes, homens-bomba e espiões", observou o 'WSJ'.
Os 'braços' da Al Qaeda no Iêmen, Somália e Mali também estão usando crianças como soldados. O Estado Islâmico tem usado os pequenos em combate e outras ações, como ataques suicidas, além de vídeos de execução no Iraque e na Síria.
O 'WSJ' entrevistou 16 jovens nigerianos que escaparam do domínio do Boko Haram, juntamente com outras testemunhas, soldados, pesquisadores, autoridades e diplomatas na Nigéria e Camarões. Todos pintam um retrato profundamente perturbador desse contexto.
Os meninos são enviados para as batalhas, muitas vezes desarmados, muitas vezes entorpecidos por drogas. Muitos dos rapazes foram espancados e alguns acabaram morrendo de fome ou sede.
"Eles nos diziam: 'Não há problema nenhum em matar alguém, até mesmo se for matar seus pais", contou Samiyu, um ex-cativo. Ele testemunhou uma decapitação no primeiro dia de seu cativeiro e disse que viu outros meninos pressionando a vítima.
"Eles nos disseram: 'É isto que você tem que fazer para chegar ao céu", contou o garoto.
Testemunhas disseram que o Boko Haram está usando vans de passageiros para transportar seus 'pequenos soldados' pelas florestas do nordeste da Nigéria. Alguns dos acampamentos têm mais de 1.000 meninos, treinando para lutar, com poucos adultos presentes, segundo as testemunhas relataram.
FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DA REDE SUPER
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